O II Fórum Latino Americano de Biossimilares e III Fórum Brasileiro de Biossimilares são constituidos por um ciclo de palestras direcionado à comunidade médico-científica, a gestores do sistema público de saúde e a demais interessados, a fim de promover o debate acerca das novas diretrizes da área dos medicamentos biológicos.
O evento tem como objetivo a elucidação e a discussão de questões relacionadas aos biossimilares e à indústria biofarmacêutica, bem como a suas implicações científicas e sociais. Este blog apresenta-se como uma extensão do fórum. Vamos pautar e incrementar a discussão sobre os biossimilares, articulando argumentos e promovendo debates on-line nos comentários dos textos publicados.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Pfizer e Johnson & Johnson suspendem estudos clínicos sobre Alzheimer

Os laboratórios farmacêuticos americanos Pfizer e Johnson & Johnson anunciaram nesta segunda-feira a suspensão de seus estudos clínicos em fase 3 (final) de um novo tratamento para combater o Mal de Alzheimer.
A Pfizer e a Janssen Alzheimer Immunotherapy, filial da Johnson & Johnson, indicaram que seus estudos da molécula "bapineuzimab" em pacientes que sofrem de uma forma leve ou moderada do Mal de Alzheimer não causaram as evoluções esperadas nas capacidades cognitivas ou funcionais dos indivíduos.
Esta é a segunda vez em menos de um mês que estes laboratórios anunciam um fracasso nas pesquisas dessa molécula.
No dia 23 de julho, os cientistas indicaram que os objetivos não tinham sido alcançados durante um estudo clínico de fase 3 em pacientes portadores do gene ApoE4 (que aumenta as chances de sofrer de Alzheimer), mas que continuariam com suas pesquisas.
Desta vez, os laboratórios anunciam a total "suspensão do estudo clínico em fase 3 do bapineuzimab intravenoso para (a forma) leve a moderada do Mal de Alzheimer".
A Johnson & Johnson indicou que este fracasso terá um impacto de entre 300 e 400 milhões de dólares em seus resultados finaceiros do terceiro trimestre.

Fonte: Yahoo

Criado Laboratório para Produzir Biossimilares no Brasil

O lançamento do laboratório BioNovis, anunciado na mídia recentemente, é a iniciativa que irá inaugurar a produção de medicamentos biossimilares no Brasil. Os biossimilares são considerados as cópias de medicamentos biológicos inovadores cuja patente expirou.

O novo laboratório é fruto de uma parceria entre quantro grandes produtoras de genéricos: EMS, Aché, Hypermarcas e União Química. O investimento deve contar com a participação do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES).

Considerando as drogas biológicas, o reumatologista e biotecnologista, Valderílio Feijó Azevedo, professor da Universidade Federal do Paraná, explica que, em uma definição relacionada à biotecnologia, os biológicos são proteínas recombinantes produzidas por células de organismos vivos geneticamente modificados (bactérias, fungos ou células de mamíferos), e obtidas em escala industrial por métodos de fermentação e purificação, entre outros. "São moléculas grandes, de estabilidade diferente - que se alteram facilmente com condições inadequadas de temperatura e pressão ou vibração, perdendo sua bioeficácia - e com estrutura complexa", explica Azevedo.

O reumatologista explica ainda que a produção de biossimilares no Brasil pode contribuir com a melhora no déficit tecnológico existente na área de produção de biológicos em escala industrial, "além de teoricamente poder diminuir os custos para o sistema de saúde porque os biossimilares são via de regra um pouco mais baratos que os originais".

Azevedo acha importante ressaltar, porém, que é preciso haver cuidado com relação à imunogenicidade destas moléculas cópias, que só serão perfeitamente avaliadas e documentadas com o passar do tempo. Ele explica que imunogenicidade é a capacidade que proteínas estranhas ao organismo possuem de estimular o sistema imunológico e com isso desencadear reações que podem ser nocivas à saúde, entre elas o câncer. "Entretanto, somente os estudos para aprovação não serão suficientes para termos esta certeza", salienta.

Produção no Brasil 

Ainda considerando a relação do Brasil com drogas biológicas e biossimilares, Azevedo explica que o país tem um grande déficit na área: "Enquanto existem cerca de 800 mil cientistas envolvidos com biotecnologia nos EUA, no Brasil só temos por volta de 9 mil pesquisadores. Outra dificuldade, diz ele, são os investimentos muito altos para a construção dos parques tecnológicos para produção em escala industrial. "Infelizmente os investidores brasileiros ainda não têm esta tradição de investir em biotecnologia porque são investimentos de alto risco, mas quando acertados são de grande retorno financeiro."

Especificamente sobre os biossimilares, Azevedo salienta que, recentemente, fundos BNDES e a parceria de empresas com tradicão na producão de genéricos têm apontado para a criação de indústrias que podem produzir biossimialres no Brasil. "Falta-nos ainda investir em mais recursos humanos para a área.

Custos 

Conforme noticiado pelo jornal O Globo, as drogas biológicas, embora representem apenas 1% da oferta de medicamentos no Brasil, comprometeram 34% do orçamento do Ministério da Saúde para compra de remédio em 2011. Aqui, conforme explica o diretor-científico da Sociedade Brasileira de Reumatologia, Luís Andrade, a maior parte das compras realizadas pelo ministério refere-se a medicamentos originais. "Esta situação poderá se modificar progressivamente no futuro próximo", prevê.

Quanto ao alto comprometimento do orçamento governamental para uma pequena parcela dos medicamentos consumidos, Andrade explica que é exatamente por causa do custo extremamente alto desses poucos medicamentos. "Para se ter uma idéia, o custo de uma receita mensal de imunobiológico para um único indivíduo corresponde ao custo da receita mensal de um anti-hipertensivo para centenas de indivíduos".

Comentando a criação do laboratório BioNovis, para produzir biossimilares, Andrade diz que iniciativas similares por empresas brasileiras podem ser dificultadas pelos custos: "A produção de medicamentos imunobiológicos, originais ou similares, requer tecnologia avançada e enorme investimento financeiro. Esses requerimentos podem estar além das possibilidades de uma empresa nacional isolada, mas podem ser equacionados pela união de várias delas".

Entretanto, para ele, o momento é de oportunidade: "A demanda por imunobiológicos é crescente e deverá assumir um ritmo de crescimento exponencial nos próximos anos", salienta. Assim, diz Andrade, o grupo que conseguir oferecer medicamentos de boa qualidade e de menor custo certamente terá um bom retorno financeiro e social. "Para o país, esta é também uma boa oportunidade, pois a demanda pelos imunobiológicos tem comprometido seriamente o orçamento destinado à saúde."

E mais: hoje a economia apresenta grande dinamismo e temos presenciado empresas brasileiras despontarem com destaque no cenário mundial, diz Andrade. "Por outro lado, como toda tecnologia, deverá observar-se uma tendência a menor custo nos processos da produção de biossimilares ao longo do tempo. Portanto, podemos prever que a nossa indústria farmacêutica deverá entrar firme na produção de biossimilares, seja pela formação de conglomerados, seja por algumas indústrias individuais em algum momento futuro.

Biossimilares no Mundo 

Andrade explica também que o mercado de biossimilares no mundo é crescente em volume e em credibilidade: "Países como a Coréia, Índia, China e Cuba estão entre os mais envolvidos nesse sentido. Algumas dessas indústrias de biossimilares apresentam padrão de qualidade suficiente para que tenham sido contratadas por indústrias que desenvolveram os produtos originais no sentido de suplementar sua produção para suprir a demanda mundial.

Quanto a prazos para uma produção brasileira em larga escala, Andrade diz que é difícil estimar, "mas não há dúvida de que o empresariado nacional tenha capacidade para cumprir esse desafio".

Com relação ao preço, diz ele, estima-se que a queda no caso dos biossimilares não seja tão marcante como a que observamos no caso dos medicamentos tradicionais. "Isto porque a produção envolve tecnologia de maior complexidade, que tem um alto custo inerente. No entanto, no momento atual podemos esperar redução de até 30% no preço dos biossimilares. "

Jornalista: Maria Teresa Marques

Fonte: Sociedade Brasileira de Reumatologia

terça-feira, 31 de julho de 2012

Investimento em Pesquisa Cientifica no Paraná: Nossa Realidade

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Paraná retém R$ 386 milhões da ciência

Governo deixou de aplicar um terço da verba prevista para investimento em pesquisa científica nos últimos dez anos, segundo o TCE

Por lei, R$ 1,1 bilhão deveria ter sido investido pelo governo estadual nos últimos dez anos em pesquisas capazes de elevar o patamar científico e tecnológico do Paraná. Mas ao menos R$ 386 milhões não chegaram ao destino certo – sem contar os recursos destinados a projetos duvidosos. Relatório divulgado na semana passada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) indica que a prática recorrente na gestão anterior foi mantida na atual administração: em 2011, chegaram R$ 58 milhões a menos do que deveria na área de pesquisa.
Investimento em inovação é fundamental
Belmiro Valver­de Jobim Castor, que é professor do dou­­torado em Admi­nistração da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, assegura que o investimento em pesquisa tecnológica é um dos mais importantes que o governo pode fazer. “Incentivar a inovação, que é uma área em que há risco inerente de erro, é um setor em que o governo deve atuar.” Ter mais recursos para a pesquisa tecnológica representaria a possibilidade de promover uma revolução na economia paranaense. “Não dá para passar a vida inteira exportando matérias-primas.”
O vice-presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Superior de Curitiba e Região Metropolitana, Valdyr Perrini, destaca que poucos professores conseguem se dedicar à pesquisa nas universidades particulares. Nesse sentido, os recursos do Fundo Paraná poderiam fazer a diferença. Perrini acredita que não chegam a 100 os docentes que se dedicam à pesquisa dentre os 6 mil professores de instituições privadas.
Verba deveria ir para as áreas estratégicas, diz especialista
O pró-reitor de pesquisa e pós-graduação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Sérgio Scheer, lamenta a falta de recursos no setor. “Fazemos menos porque temos menos laboratórios, equipamentos, bolsas, pessoas trabalhando e, assim, temos menos pesquisa”, resume. Ele comenta que as instituições estaduais acabam usando a verba destinada a pesquisa para suplementação de despesas usuais. “É como se dissessem: não tenho de onde tirar dinheiro, então vamos usar essa verba mesmo.”
Ele defende a aplicação dos recursos em áreas estratégicas. “Se estão faltando pesquisas sobre a produção de cana de açúcar, por exemplo, o governo pode induzir isso através de fomento nessa área”, explica. Os governos federal e de São Paulo, que são referências nacionais, agem desta maneira. Para Scheer, destinar recursos para áreas estratégicas está dentro do que se espera de um governo, que é induzir o desenvolvimento.
O pró-reitor acredita ainda que a forma mais justa de distribuição de recursos seria por meio de edital. Assim, seria publicado em um site de amplo acesso público que existem verbas disponíveis para uma determinada área de pesquisa e os profissionais que têm conhecimento específico sobre o assunto se candidatariam para receber o recurso. O último edital divulgado no endereço eletrônico da Secretaria da Ciência e Tecnologia do Paraná é de 2009.
Números
• R$ 1,1 bilhão é equivalente ao que é gasto por ano nas sete instituições estaduais de ensino superior do Paraná, que abrigam 70 mil estudantes e 13 mil funcionários, entre professores e técnicos.
• 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB) é aplicado em pesquisas no Brasil. Do valor, metade é do governo. Nos países mais desenvolvidos, o porcentual é de 2% e a maior parte vem da iniciativa privada.
• 13.ª posição é ocupada pelo Brasil no ranking mundial de investimento em produção científica. Contudo, o país está apenas em 47º lugar entre os mais inovadores, sinal de que muito do que é pesquisado não se transforma em produtos, patentes etc.
A Constituição estadual determina que 2% das receitas de impostos sejam destinados à área de ciência e tecnologia (veja no quadro ao lado como deve ser a distribuição do dinheiro). O gerenciamento da maior parte do recurso cabe à Unidade Gestora do Fundo Paraná (UGF). “Já avançamos e estamos nos adequando à legislação”, garante Gérson Koch, coordenador-geral da UGF. De acordo com a legislação, a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) é que deveria gerenciar os recursos. Contudo, os valores estão sendo controlados pela Secretaria de Estado da Fazenda.
Todo fundo deve ter uma conta bancária própria – para que os recursos não se misturem com outras verbas públicas –, mas só há alguns meses é que o Fundo Paraná ganhou uma conta específica. Os depósitos no fundo também deveriam ser mensais, mas têm ocorrido somente quando é encaminhado um pedido de pagamento. Além disso, parte do que deve financiar pesquisa acabou sendo destinado para complementar salários de funcionários públicos e virou pagamento de adicional por Tempo Integral de Dedicação Exclusiva (Tide).
Como funciona
Em três salas do prédio da Seti, em Curitiba, ficam os 12 funcionários responsáveis por analisar os pedidos de investimentos em pesquisa. O dinheiro deveria ser aplicado em iniciativas relevantes, inovadoras, que levem a avanços tecnológicos. Projetos que já se arrastam por muitos anos sem apresentar resultados, propostas que eram mais assistenciais ou extensionistas e pedidos relacionados a compra de equipamentos sem relação direta com a necessidade para o desenvolvimento de pesquisas estão sendo reavaliados e, muitos, cancelados.
No ano passado, os pedidos somaram R$ 144 milhões, mas foram aprovadas propostas que juntas chegaram a R$ 53 milhões. O dinheiro vai sendo liberado a medida que são apresentadas comprovações do bom uso e da necessidade. Assim, apenas R$ 11 milhões foram efetivamente repassados aos pesquisadores em 2011. O restante ficou em caixa, reservado, para parcelas futuras. A maior parte da verba foi para instituições estaduais de ensino superior. “Havia o hábito de usar os recursos na manutenção das universidades e até na construção de prédios”, justifica Koch. O dinheiro não é destinado a pesquisadores – somente a instituições de pesquisa.
No último dia 25, a Gazeta do Povo pediu acesso à listagem de projetos aprovados nos últimos meses, mas a informação não foi repassada pela Seti até o fechamento desta edição. O objetivo do jornal era dar transparência às informações, disponibilizando a lista para consulta pública na internet.











quinta-feira, 26 de julho de 2012

Brasil descobre potencial de fármaco biológico

Patentes de vários medicamentos que são feitos a partir de células vivas devem vencer nos próximos três anos e diminuir custos do SUS

Nos próximos três anos, uma nova fronteira no ramo de medicamentos deve se abrir para o Brasil. Entre 2012 e 2015, cerca de uma dezena de patentes dos chamados medicamentos biológicos deve cair, o que cria a possibilidade de que mais pessoas tenham acesso a remédios de ponta e o sistema público de saúde gaste menos com o tratamento de doenças graves ou raras. Para isso, no entanto, o país precisa se modernizar, investir em biotecnologia e regulamentar melhor o mercado farmacêutico nessa área.
Tais remédios são considerados hoje o que há de mais avançado para o tratamento de doenças como artrite reumatoide, câncer, psoríase, enfarte e diabete.

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Produção
Conheça o processo de fabricação de um medicamento biológico:
1. Uma célula ou micro-organismo é modificado geneticamente para produzir uma proteína homóloga ou que interaja com uma proteína humana e aja como substância terapêutica no corpo humano.
2. A célula ou o micro-organismo modificado é preservado e réplicas são cultivadas em larga escala no laboratório.
3. Inicia-se a ‘colheita’ da proteína sintetizada dentro da célula ou micro-organismo.
4. Há o processo de isolamento da proteína desejada, que então é purificada e separada das demais proteínas e resíduos.
5. É obtido o componente ativo do medicamento.
6. São feitos os testes clínicos em pacientes para que se conheçam os efeitos adversos/colaterais e sua eficácia, entre outros critérios preestabelecidos.
7. Caso passe em mais de 250 testes (em média) ao longo do processo, o remédio é registrado pela Anvisa e, então, liberado para venda.
8. Mesmo após a comercialização, a farmacovigilância deve continuar acompanhando efeitos adversos.
Fonte: Anvisa e Sociedade Brasileira de Reumatologia
Características
Qual a diferença entre remédios biológicos e químicos?
Químicos: são sais obtidos por meio de reações químicas previsíveis e reproduzíveis em larga escala. Possuem estrutura estável, são mais leves e o número de moléculas não passa de uma centena.
Biológicos: produzidos a partir de células vivas de mamíferos, bactérias, fungos e leveduras. Têm estrutura complexa, são pesados, com milhares de moléculas e não podem ser reproduzidos de forma idêntica em escala industrial.
Fonte: Valdair Pinto, Roberto Pecoits e Valderílio Feijó de Azevedo; Sociedade Brasileira de Reumatologia; Ministério da Saúde.
Pacientes com osteoporose, especialmente com complicações renais graves, também acabam de ganhar essa opção de tratamento. O primeiro remédio biológico para a doença, o denosumab, está disponível no Brasil, mas ainda não é fornecido na rede pública.
Criados a partir de células vivas, eles têm apresentado melhor resposta a esses males do que os produzidos quimicamente, pois contêm proteínas modificadas geneticamente para agir de forma específica sobre a doença. O problema é que são caros: atualmente, de todos os remédios distribuídos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), 2% são biológicos; já o seu custo responde por 41% do total desembolsado pelo governo.
Para se ter uma ideia, o medicamento contra a artrite reumatoide (doença crônica que causa inflamação nas articulações e pode gerar deformações) chega a custar de R$ 50 mil a R$ 60 mil por mês ao SUS. Nesse sentido, a queda de patente permitirá a produção dos chamados remédios biossimilares (uma espécie de genérico, porém com algumas diferenças importantes que impedem que sejam chamados por esse nome), com um custo, em média, 30% menor.
O desafio do Brasil é criar uma regulamentação mais rígida para o setor, uma vez que, por ser feito de células vivas, com moléculas instáveis, um medicamento biológico nunca terá um correspondente (biossimilar) idêntico, e são necessárias centenas de pesquisas ao longo do processo para garantir que as diferenças não afetarão a eficácia do produto. “A legislação brasileira, de 2010, avançou em relação à anterior, de 2005, mas ainda não exige todos os testes necessários para comprovar a eficácia de um biossimilar”, diz o consultor em medicina farmacêutica Valdair Pinto.
O consultor se refere ao fato de que hoje há duas vias para que um biossimilar seja liberado para registro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa): a via de desenvolvimento por comparabilidade e a via de desenvolvimento individual. A primeira exige testes sobre a origem das células, processo produtivo e qualidade, mas os testes clínicos (em pacientes) e não-clínicos (em animais) podem sem simplificados. Já a segunda exige ainda menos testes. Especialistas afirmam que a falta de critérios compromete a eficácia do produto.
De acordo com o professor de Reumatologia da PUCPR e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Reumatolgoia, Roberto Pecoits, 40% dos pacientes que utilizam os biossimilares para artrite reumatoide não apresentam melhora. Isso porque o remédio, importado de Cuba, não passou por testes rígidos. “Foram feitos testes clínicos com poucas pessoas, e nem sequer foram publicados. Não achamos nada sobre eles na literatura médica. Sem os testes, publicação e referendação pelos pares, fica difícil saber as causas da pouca eficácia do remédio.”
País precisa investir em formação
Com a queda de patentes de remédios biológicos, o Brasil precisa correr para equipar seu parque tecnobiológico e investir na formação de profissionais da área, que hoje é considerado ínfimo. O professor de Reumatologia da UFPR Valderílio Feijó de Azevedo explica que o Brasil tem hoje cerca de 9 mil profissionais trabalhando na área, contra 900 mil apenas nos EUA.
O consultor em medicina farmacêutica Valdair Pinto teme que o país acabe apenas importando o princípio ativo do exterior em vez de investir na produção própria. “É o que ocorre com a indústria de genéricos, que geralmente importa o princípio ativo, aí formula, embala e vende o produto. Vira uma atividade puramente comercial”, lamenta.
Investir em pesquisa é caro e exige paciência – de mil moléculas pesquisadas, 100 chegam a ser aprovadas e cinco se tornam viáveis comercialmente, e cada medicamento biológico chega a despender R$ 1,5 bilhão em pesquisa e desenvolvimento. “O investidor só deseja atividades com retorno rápido, e isso é prejudicial ao desenvolvimento da pesquisa. De fato, essa área exige tempo e dinheiro, mas o retorno é infinitamente maior”, diz Feijó, da UFPR.
O professor diz ainda que o país precisa correr atrás de parcerias na área de transferência tecnológica com países como Alemanha, Japão e Estados Unidos, nações que mais produzem medicamentos biológicos. Hoje, a parceria ocorre com países de pouca tradição na área, como Cuba e Ucrânia. Atualmente, de cada 10 remédios registrados no mundo, dois são biológicos, mas a estimativa é de que, em dez anos, esse número suba para sete em cada dez.


segunda-feira, 23 de julho de 2012

Trastuzumab agora gratuito no SUS



Uma das novas aquisições do SUS em sua lista de medicamentos distribuídos gratuitamente, foi a incorporação do Trastuzumab (Herceptin), anticorpo monoclonal que combate a progressão do câncer de mama em pacientes com super-expressão do receptor HER2.
Por ser um medicamento de alto custo, onde seu frasco de 20 ml contendo 440 mg custa por volta dos 10 mil reais, diversos pacientes requerem o medicamento através de ações judiciais.
De acordo com o jornal Estado de São Paulo, o Trastuzumabe encontra-se na setima colocação, com relação a demanda judicial do Ministério da Saúde, e indica que somente em 2011 houve um gasto de R$ 266 milhões na compra de medicamentos determinados por decisões judiciais - sendo R$ 4,9 milhões para atender a 61 ordens de compra do Trastuzumabe.
Neste ano, o governo federal já recebeu 98 determinações judiciais para compra do medicamento e gastou R$ 12,6 milhões. Só uma compra para atender uma ação civil pública movida pelo Estado de Santa Catarina, por exemplo, consumiu R$ 9,8 milhões dos cofres públicos.


segunda-feira, 2 de julho de 2012

FDA E AS MEDIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO DE BIOSSIMILARES EM 2012






  Tanto o FDA (Food and Drug Administration) como a  EMEA (European Medicines Agency) (abordado anteriormente pelo blog) estabeleceram marcos regulatórios para o desenvolvimento de medicamentos Biossimilares em 2012 importantes, com isso o Blog revisará as principais regulamentações que o FDA expôs, podendo servir também como orientação para as agências regulatórias da America Latina estabelecerem critérios quanto ao desenvolvimento de biossimilares.
  Após três anos ao apresentar o documento "Biosimilars: Questions and Answers Regarding Implementation of the Biologics Price Competition and Innovation Act of 2009" , o FDA lançou em Janeiro de 2012 dois documentos com recomendações para desenvolvimento de Biossimilares (disponíveis abaixo), com o intuito de comprovar a similaridade  e segurança dos biossimilar com relação ao medicamento de referência. Tais documentos estiveram abertos no período de 60 dias para perguntas e comentários.
  No documento existem diversos pontos a serem considerados, aqui podemos destacar que:
  • A Biossimilaridade pode ser demonstrada a partir de estudos analíticos, estudos de animais, estudos clínicos, a menos que o FDA considere dispensáveis alguns desses estudos.
  • O FDA recomenda uma abordagem passo a passo a ser usado no desenvolvimento de biossimilares, com a caracterização estrutural e funcional do produto de referência e do biossimilar, como alicerce do programa de desenvolvimento.
  • O FDA planeja usar a totalidade das provas evidenciais para avaliar a biossimilaridade.
  • Do ponto de vista de qualidade, o FDA identificou uma série de fatores a serem  considerados, incluidos a seguir, ao avaliar a biossimilaridade: Sistemas de expressão, processo de fabricação, avaliação das propriedades físico-químicas, atividades funcionais, propriedades de ligação ao receptor e imunoquímicos, impurezas, produtos de referência e padrões, produção final da droga e sua estabilidade.
  • Em relação aos estudos com animais, o FDA discutiu os estudos de toxicidade animal, a avaliação da Farmacocinética e Farmacodinâmica em animais e estudos de imunogenicidade em animais. 
  • O FDA discutiu o caminho a ser seguido com relação aos estudos clínicos: Os dados de farmacologia humana, avaliação clínica quanto a imunogenicidade, segurança clínica e eficácia, a construção do projeto de estudos clínicos (Study Design) e a extrapolação de dados clínicos em várias indicações.
  • O FDA aconselha que as empresas se reúnam com a agência para apresentar planos de desenvolvimento de produtos e estabelecer metas para uma discussão mais aprofundada.
    Certamente é de interesse de qualquer empresa que tende a investir no mercado de biossimilares a adequação as orientações da FDA. 
    Partindo para o cenário Latino-americano, há muito o que ser avaliado, no Brasil por exemplo, por meio da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), foi protocolou diretrizes para o desenvolvimento dos biossimilares, no então ainda existem lacunas a serem preenchidas, além de outros países da America Latina ainda estarem estudando as melhores medidas a serem tomadas quanto a regulamentação de biossimilares, por isso que discussões serão bem vindas para que haja a tomada de decisões efetivas. Esta é a visão do Fórum Nacional e Latino Americano de Biossimilares que ocorrerá em São Paulo nos dias 03 e 04 de Agosto em São Paulo/SP, com o tema "Ensaios Clínicos Com Biossimilares: Aspectos Regulatórios".




Scientific Considerations in Demonstrating Biosimilarity to a Reference Product

Quality Considerations in Demonstrating Biosimilarity to a Reference Protein Product
Biosimilars: Questions and Answers Regarding Implementation of the Biologics Price Competition and Innovation Act of 2009

terça-feira, 26 de junho de 2012

BIOSSIMILAR DO ADALIMUMAB A CAMINHO


 A empresa alemã Boehringer Ingelheim já inicio a Fase I de testes para o biossimilar do Adalimumab denominado no estudo BI695501. O estudo será realizado na Nova Zelândia. Nesta fase o BI695501 será submetido a testes de Farmacocinética e estudos de segurança que viabilizaram a análise da comparabilidade entre o biossimilar e o medicamento de referência, o Adalimumab.
  O estudo foi protocolado na Clinical trials pela identificação NCT01505491.
  A Boehringer Ingelheim, dentre outras grande empresas, vêm investindo na promissora safra de medicamentos biossimilares. Certamente a competitividade no mercado dos biossimilares será acirrada, e para aumentar a euforia do mercado,  a FDA já havia declarado que a primeira molécula biossimilar a ser aprovada terá um ano de exclusividade nas vendas, tal incentivo certamente eleva os ânimos na corrida para a conclusão dos teste clínicos e comprovações pertinentes.


Fonte: Clinical trials